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Correlação entre criptoativos e mercados tradicionais

Como a correlação do Bitcoin com ações mudou: estudos do FMI, BCE e Fed de Chicago e um cálculo do site com retornos diários, e por que ela não é constante.

Em revisão editorial. Este texto foi elaborado a partir de fontes públicas e passa por revisão técnica e jurídica; pode ser atualizado. Confira as fontes ao final antes de qualquer decisão.

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A correlação entre o Bitcoin e as ações dos Estados Unidos já foi próxima de zero e, desde 2020, tem sido positiva, embora variável. Estudos de instituições como o FMI, o Banco Central Europeu e o Federal Reserve de Chicago apontam que os criptoativos passaram a se mover mais em sintonia com ativos de risco, sobretudo em momentos de estresse. Isso reduz a esperança de que o Bitcoin sempre diversifique uma carteira de ações, mas a correlação muda com o período e o método, e nenhuma medida passada garante o comportamento futuro.

O que é correlação

Correlação é uma medida, entre -1 e +1, de quanto dois ativos variam juntos. Perto de +1, sobem e caem na mesma direção; perto de 0, os movimentos não têm relação linear aparente; perto de -1, tendem a ir em sentidos opostos. Ela é calculada sobre retornos (variações percentuais) e não sobre preços, e depende do intervalo (diário, semanal) e do período.

Dois cuidados: correlação mede co-movimento, não causa; e ela diz pouco sobre o tamanho das oscilações. Um ativo muito mais volátil que outro pode ter correlação alta e, ainda assim, perdas muito maiores. A relação entre correlação e diversificação está em diversificação em criptoativos.

O que dizem as instituições

  • FMI (2022). Em blog de janeiro de 2022, pesquisadores do FMI relataram que a correlação entre o Bitcoin e o S&P 500 era de 0,01 em 2017-2019 e de 0,36 em 2020-2021, e que a correlação do Bitcoin com ações era maior do que a de ações com ouro, títulos de grau de investimento e moedas principais, o que limita os benefícios de diversificação. A página não detalha a metodologia.
  • BCE (2022). O Financial Stability Review de maio de 2022 registrou aumento da correlação entre retornos de criptoativos e de ações durante e após o estresse de março de 2020 e as quedas de dezembro de 2021 e maio de 2022, e concluiu que isso “lança dúvida” sobre a utilidade dos criptoativos para diversificar carteiras.
  • Federal Reserve de Chicago (2026). O working paper 2026-16 (13/08/2026; trabalho não editado, que não reflete necessariamente a visão do Fed) estima betas variáveis no tempo do Bitcoin em relação ao NASDAQ, ao Dow Jones e aos retornos do título do Tesouro de 10 anos. Os autores concluem que o Bitcoin passou de ativo largamente idiossincrático para um ativo de “apetite a risco”, com retornos semelhantes aos do mercado acionário amplo dos EUA; a exposição às ações se torna estatisticamente maior que zero por volta de 2020, enquanto a exposição ao título do Tesouro não se distingue de zero.
  • BIS (março de 2026). A revisão trimestral descreve a queda do Bitcoin de cerca de 50% desde as máximas de 2025 como posterior à queda das ações de tecnologia, e como parte de uma rotação geral para longe de ativos de crescimento. O texto não quantifica a correlação e não afirma causalidade.

Em conjunto, as fontes convergem em que a ligação com ações aumentou desde 2020. Divergem em período, índice e método, e nenhuma delas deve ser lida como uma constante.

Cálculo do site: correlação com o S&P 500

Cálculo próprio do site, não é estimativa institucional. Foi feito em 16/10/2026 com fontes públicas gratuitas e conferido por um segundo cálculo independente, com os mesmos dados e o mesmo método. Descreve o passado e não projeta o futuro.

Método.

  • Dados: fechamentos diários do par BTC-USD (API pública da Coinbase Exchange) e do índice S&P 500 (série pública de fechamentos, sem dividendos), de 18/10/2016 a 15/10/2026.
  • Retornos: logarítmicos, ou seja, o logaritmo natural da razão entre dois fechamentos consecutivos.
  • Calendário: o Bitcoin negocia todos os dias, e as ações só em dias úteis das bolsas. Para comparar períodos iguais, os retornos foram medidos entre pregões consecutivos do S&P 500; assim, o retorno do Bitcoin de uma segunda-feira cobre o fim de semana, como o do índice.
  • Horários: o candle diário da Coinbase fecha à meia-noite UTC, enquanto o S&P 500 fecha por volta de 20h ou 21h UTC, conforme o horário de verão nos EUA. Há, portanto, defasagem de cerca de 3 a 4 horas entre os dois fechamentos, o que pode reduzir um pouco a correlação medida (efeito não quantificado aqui).
  • Estimador: correlação de Pearson. Total de 2.512 pares de retornos.

Resultados:

Período Correlação (retornos diários)
Últimos 12 meses (out/2025 a out/2026) 0,47
Últimos 2 anos 0,42
Últimos 5 anos 0,42
Toda a amostra (out/2016 a out/2026) 0,28

Por ano-calendário:

Ano 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026*
Correlação 0,06 0,07 -0,11 0,45 0,26 0,56 0,16 0,36 0,42 0,46

*2026 até 15/10 (198 pares). Os demais anos têm entre 250 e 253 pares.

Outros recortes do mesmo cálculo:

  • Janelas móveis de 90 pregões: a correlação variou de -0,34 (agosto de 2019) a 0,62 (fevereiro de 2026), e a última janela, encerrada em 15/10/2026, foi de 0,39. Em cerca de 28% das janelas ficou abaixo de 0,10 e em cerca de 34% acima de 0,40.
  • Dias de queda do índice: nos 276 pregões em que o S&P 500 caiu mais de 1%, a correlação foi de 0,39, e o Bitcoin teve retorno negativo em 67% desses dias, com média de -1,9%. Nos demais dias, a correlação foi de 0,17. A amostra é pequena e o resultado é descritivo.

A correlação medida pelo site foi baixa nos primeiros anos da amostra e alta nos últimos, mas oscilou bastante dentro do próprio período. Um número único esconde essa variação.

Limites do cálculo: uma só bolsa de criptoativos e um só índice acionário; a defasagem de horários descrita; as médias dependem da janela; correlação linear não captura relações em eventos extremos; e os resultados descrevem o passado. Dados diferentes (outro índice, outra moeda de cotação, frequência semanal) podem dar números diferentes. A volatilidade do Bitcoin no mesmo período está descrita em volatilidade do Bitcoin.

Por que a correlação pode mudar

São hipóteses discutidas na literatura, e não relações comprovadas por este texto:

  • Mais participantes institucionais e produtos financeiros ligados a criptoativos, que os aproximam das mesmas carteiras e dos mesmos fluxos de capital que as ações.
  • Condições financeiras globais: a nota do FMI para o G20 afirma que os preços de criptoativos já estão correlacionados com o ciclo financeiro global e respondem mais a mudanças nas condições financeiras do que as ações.
  • Alavancagem e liquidações: vendas forçadas em um mercado podem ser acompanhadas de vendas em outro para cobrir margens (hipótese de mecanismo).
  • Regimes de mercado: em períodos de estresse, correlações entre ativos de risco costumam subir.

O que isso significa para a carteira

  • Não é diversificador garantido. Se a correlação for positiva e relevante, uma carteira com ações e Bitcoin pode cair nos mesmos momentos.
  • A correlação não substitui outras análises. O Bitcoin tem fontes próprias de risco (plataformas, regulação, tecnologia), descritas em tipos de risco em ativos digitais.
  • O peso na carteira importa. Com a mesma correlação, uma posição maior contribui mais para a oscilação do total. Veja como pensar o tamanho da exposição.

O que não é verdade

  • “O Bitcoin é descorrelacionado das ações”: foi próximo disso em alguns períodos, não em todos.
  • “O Bitcoin é só um ativo de tecnologia”: o estudo do Fed de Chicago sugere que ele responde mais ao mercado acionário amplo, mas isso é um resultado de pesquisa, sujeito a revisão.
  • “Correlação alta significa que um prevê o outro”: é medida de co-movimento no passado, sem poder preditivo garantido.

O que observar

  • O período, a frequência e o índice usados em qualquer número de correlação.
  • Se a medida é de um valor único ou de janelas móveis.
  • O comportamento em períodos de estresse, e não só a média.
  • A volatilidade relativa dos ativos, além da correlação.
  • Se a fonte é institucional ou um cálculo próprio, e se o método está explícito.

Fechamento

A correlação entre criptoativos e ações aumentou desde 2020 segundo as fontes consultadas, mas varia ao longo do tempo e depende de como é medida. Tratá-la como parâmetro fixo é um erro frequente de análise. Para discutir como isso afeta a estrutura de uma carteira, há a consultoria para pessoas.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento nem aconselhamento jurídico ou tributário.

Fontes

  1. Crypto Prices Move More in Sync with Stocks, Posing New Risks (IMF Blog, 11/01/2022) · Fundo Monetário Internacional (FMI) · acesso em 16/10/2026
  2. Decrypting financial stability risks in crypto-asset markets (Financial Stability Review, maio/2022) · Banco Central Europeu (BCE) · acesso em 16/10/2026
  3. Crypto is Coming of Age: The Case of Bitcoin's Rising Beta (Working Paper 2026-16, 13/08/2026) · Federal Reserve Bank of Chicago · acesso em 16/10/2026
  4. BIS Quarterly Review, março de 2026: Markets recalibrate amid shifting currents · Bank for International Settlements (BIS) · acesso em 16/10/2026
  5. G20 Note on the Macrofinancial Implications of Crypto Assets (2023) · Fundo Monetário Internacional (FMI) · acesso em 16/10/2026
  6. Coinbase Exchange API: candles diários BTC-USD (base do cálculo próprio do site) · Coinbase Exchange (dados públicos de mercado) · acesso em 16/10/2026
  7. S&P 500 (^GSPC): fechamentos diários, série pública de índice (base do cálculo próprio do site) · Yahoo Finance (dados públicos; índice de S&P Dow Jones Indices) · acesso em 16/10/2026

Conteúdo informativo, sem caráter de recomendação de investimento, jurídico ou tributário. Ativos digitais envolvem riscos, inclusive de perda total. Veja os avisos legais.